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Toda a gente já tem uma gaveta.

O hábito

O papel não é o problema.

Pergunta a alguém que tenha uma frase de recuperação onde a guarda. As respostas honestas são semelhantes: num caderno, num envelope, no verso do passaporte, como fotografia na fototeca. Quase ninguém se sente bem com a própria resposta e quase ninguém muda alguma coisa.

O instinto por detrás da gaveta está certo. Guarda o que é importante longe da rede, num lugar que controlas e onde o consegues encontrar. É um verdadeiro modelo de segurança, não um erro.

O que falha é tudo o que o rodeia. A escrita no papel desaparece, o papel molha-se ou é deitado fora por alguém durante uma arrumação. Uma captura de ecrã é sincronizada sem dar por isso com três serviços. E nada disto é compreensível para a pessoa que um dia poderá precisar disso sem ti.

Onde falha

Quatro pontos fracos do sistema improvisado.

I

É legível

Quem abrir o envelope fica com tudo. Entre encontrar e usar não há mais nenhum passo.

II

Vai parar à rede

A fotografia de uma frase é um ficheiro, e os ficheiros são salvaguardados. A cópia offline deixa de estar offline assim que a fotografas.

III

É frágil

Tinta, papel e fita-cola não são armazenamento. São uma nota que, na realidade, querias substituir.

IV

Falta a explicação

Para ti, o conteúdo da gaveta faz sentido. Para a próxima pessoa, é um papel cheio de caracteres, sem instruções.

Mantém o instinto.
Substitui o papel.

Um cartão MI8OS é a gaveta levada até ao fim: continua offline, continua na tua posse, mas é encriptado, duradouro e, para quem quer que o pegue, não tem conteúdo legível.